O governo JK e o Grupo de Trabalho de Controle e Erradicação da Malária no Brasil: encontros e desencontros nas agendas brasileira e internacional de saúde, 1958-1961, de Renato da Silva e Carlos Henrique Assunção Paiva

Artigo “O governo JK e o Grupo de Trabalho de Controle e Erradicação da Malária no Brasil: encontros e desencontros nas agendas brasileira e internacional de saúde, 1958-1961”, de Renato da Silva e Carlos Henrique Assunção Paiva.

Os autores examinam como o Brasil, durante o governo Juscelino Kubitschek (JK), aderiu (mais no discurso do que na prática) ao programa internacional de erradicação da malária liderado pela OMS/OPAS, focalizando a criação e a trajetória do Grupo de Trabalho de Controle e Erradicação da Malária (GTEM, 1958–1961). A hipótese é que houve “encontros e desencontros” entre diretrizes globais padronizadas e a tradição brasileira de controle, produzindo uma conversão lenta e ambígua de controle → erradicação.

Ao mostrar que a fase “preparatória” (1958–1965) levou mais tempo que a etapa de ataque prevista, o estudo evidencia que políticas “verticais” padronizadas encontram fricção em ecologias sociais e geográficas específicas; isso antecipa debates contemporâneos sobre adaptação local em saúde global.

O caso brasileiro sob JK confirma que aderir formalmente à agenda global não garante alinhamento substantivo. Entre 1958 e 1961, o GTEM foi menos um motor de erradicação e mais uma estrutura de negociação de recursos e de tradução local de diretrizes, mantendo a tradição de controle enquanto o país barganhava apoio externo para o desenvolvimento. Quando a campanha ganha base legal robusta (1965), o auge do otimismo erradicacionista já passava, e a OMS caminhava para reconhecer limites do projeto. Em suma: a política de malária no período JK é um estudo de caso de cooperação internacional assimétrica, tecnopolítica do desenvolvimento e governança sanitária híbrida—lições úteis para pensar programas verticais de hoje.

Referência do artigo

SILVA, Renato da; PAIVA, Carlos Henrique Assunção. O governo JK e o Grupo de Trabalho de Controle e Erradicação da Malária no Brasil: encontros e desencontros nas agendas brasileira e internacional de saúde, 1958-1961. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 22, n. 1, p. 95-114, jan./mar. 2015. DOI: 10.1590/S0104-59702015000100006. Disponível em: https://pesquisa.bvsalud.org/bvsms/resource/pt/mdl-25742101. Acesso em: 29 out. 2025.

O artigo reconstrói finamente a cronologia normativa internacional e o modo como ela “aterra” no Brasil, ainda conecta saúde e política externa de JK (barganha na Guerra Fria), mostrando a malária como “moeda” de desenvolvimento, e para isso usa dossiês administrativos (MS/DNERu/CEM), atas e discursos para captar o jogo entre tecnocracia sanitária e diretrizes multilaterais.

Entre 1956 e 1960, o Brasil percorreu um caminho que vai da institucionalização da capacidade (DNERu) à adesão formal ao padrão OMS (GT com assento OPAS/ICA) e, finalmente, à descoberta dos limites da ortodoxia em seu território, sobretudo na Amazônia. O semestre a semestre mostra que a erradicação, no período JK, foi menos uma “campanha uniforme” e mais um campo de negociação entre padrões multilaterais e realidades logísticas, orçamentárias e políticas. O resultado foi um arranjo híbrido: a ortodoxia “borrifar + vigiar” aplicada onde possível; a adaptação farmacológica (sal cloroquinado) onde o território desafiava a engenharia OMS, ao custo de desalinhamento metodológico e críticas que culminariam no abandono do sal em 1961. O aprendizado central para a história da saúde (e para políticas contemporâneas) é que capacidade institucional e adequação territorial são tão determinantes quanto a correção técnica de um protocolo. Erradicar exige relógio global e, também, geometria local e 1956-1960 é o laboratório brasileiro dessa tensão.

Vamos lá, entretanto antes de começar: quem são os personagens?

  • governo JK: presidente Juscelino Kubitschek (1956–1961), o do “50 anos em 5”.

  • Ministério da Saúde (MS): o “guarda-chuva” da saúde pública.

  • DNERu (Departamento Nacional de Endemias Rurais): criado em 1956. Pense nele como um “time especial” dentro do MS para combater doenças espalhadas pelo interior (malária, febre amarela etc.).

  • GT da Malária (Grupo de Trabalho): criado em 1958, um comitê dentro do DNERu para planejar e tocar a Campanha de Erradicação da Malária.

  • OMS (Organização Mundial da Saúde): órgão da ONU que define regras e faz recomendações globais de saúde.

  • OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde): “braço” regional da OMS nas Américas.

  • ICA / Ponto IV: agência de cooperação dos EUA na época (dinheiro, técnicos, materiais).

  • UNICEF: agência da ONU; também apoiava campanhas.

  • Comitê de Peritos em Malária (OMS): grupo de especialistas que escreveu o “manual de instruções” da erradicação.

  • DDT: inseticida borrifado nas paredes das casas para matar mosquitos transmissores.

  • borrifação residual: passar DDT nas paredes e tetos; o produto fica “residual”, agindo por meses.

  • sal cloroquinado (“método Pinotti”): misturar remédio antimalárico no sal de cozinha para a população ingerir diariamente; ideia do médico e ministro Mário Pinotti.

  • “controle” x “erradicação”: controle = diminuir a doença até ficar “suportável”. erradicação = interromper a transmissão e zerar casos autóctones por anos, com vigilância rígida depois.

Pronto: com o elenco apresentado, vamos ano a ano, semestre a semestre.

Os marcos normativos, a engenharia institucional e a leitura analítica de como o Brasil traduziu (e tensionou) o pacote erradicacionista internacional no governo JK;

1956

1º semestre — nasce a “máquina” (DNERu) e redefine-se o centro de gravidade da política

Em 6 de março, a Lei nº 2.743 cria, no Ministério da Saúde, o Departamento Nacional de Endemias Rurais (DNERu), com a incumbência de “organizar e executar” investigação e combate às endemias (malária, febre amarela, peste etc.). A lei também centraliza campanhas antes dispersas em serviços nacionais, delineando um comando único para as “doenças de massa”, arquitetura administrativa que, dois anos depois, abrigará o grupo encarregado da erradicação. A leitura de seus artigos (competências, órgãos internos, absorção de campanhas) mostra que o legislador pensou a capacidade estatal antes da mudança de paradigma técnico; primeiro, constrói-se a estrutura; depois, discute-se que estratégia essa estrutura vai carregar. 

Assim o governo montou um departamento especializado para combater doenças do interior. Pense em criar um “quartel-general” com equipe, orçamento e missão clara. O próprio Ministério da Saúde, querendo organizar melhor as campanhas espalhadas (cada uma com sua lógica). Afinal, sem estrutura não há campanha. Primeiro você monta a cozinha (DNERu), depois decide a receita (controle? erradicação?).

2º semestre — continuidade do “controle”, com horizonte técnico já mudando no exterior

O DNERu se instalou e tocou o que já sabia fazer: borrifar DDT, vigiar casos, fazer saneamento básico onde desse.

No cenário internacional, ou seja lá fora… desde 1955 a OMS dizia: “gente, dá para erradicar a malária se seguirmos etapas rígidas” (fase preparatória → ataque → consolidação/manutenção).

Do ponto de vista doméstico, o segundo semestre é de institucionalização do DNERu e continuidade da tradição de controle: borrifação residual, vigilância ativa, saneamento pontual e forte papel da “campanha” como modo de organizar o trabalho. No plano externo, porém, a bússola já apontava à erradicação: a OMS havia aprovado em 1955, via Assembleia Mundial da Saúde, a virada programática para erradicar malária, definindo fases (preparatória, ataque, consolidação/manutenção) e pedindo que países começassem a converter programas de controle em campanhas de erradicação. Essa matriz técnica, consolidada nos relatórios do Comitê de Peritos, pressionaria o arranjo brasileiro de 1956–1957 a se adaptar, mas sem, ainda, um gatilho legal interno específico.

Nesse momento o Brasil estava organizando a casa, mas ainda não tinha acionado a chave “erradicação”. Faltava um ato legal que conectasse nossa cozinha (DNERu) ao manual global (OMS).

1957

1º semestre — preparação “de bastidor”: inventários, entomologia e desenho de serviço

À medida que o DNERu ganha tração, o país avança nos requisitos que a OMS listara para a fase preparatória: reconhecimento geográfico, estudos entomológicos e epidemiológicos, dotação de pessoal, organização de cadeia de suprimentos e elaboração de planos-piloto com borrifação residual. O 6º e o 7º relatórios do Comitê de Peritos (1956 e 1958, publicados em 1956/1959) “engessam” o método: normatizam métricas, etapas e avaliações padronizadas, deixando menos espaço para improviso nacional. A semestralidade aqui é mais organizacional do que normativa: o primeiro semestre é de montagem dos “alicerces” técnico-administrativos exigidos pelos peritos. 

2º semestre — alinhamento programático e negociação de cooperação

Brasília começou a escrever planos seguindo o “manual” da OMS e abriu conversa com OPAS, ICA/Ponto IV e UNICEF.

Na virada do ano, Brasília passa a redigir planos à luz das fases OMS e a negociar a cooperação com a Repartição Sanitária Pan-Americana (OPAS) e a agência de cooperação dos EUA (ICA/Ponto IV). O conteúdo dos relatórios da OPAS sobre a articulação PASB/WHO–UNICEF–ICA mostra que a erradicação era uma “coalizão de insumos”: inseticidas, veículos, treinamento e sistemas de vigilância padronizados, com financiamento compartilhado. Para o Brasil, o semestre fecha com uma engenharia de papéis encaminhada (DNERu como “casa”, OPAS/OMS e ICA como provedores e cobradores de padrão), à espera do ato doméstico que desse personalidade jurídica à campanha. 

1958

1º semestre — o pino que ativa o circuito: Decreto nº 43.174 e a “porta” multilateral

Agora nasce o Grupo de Trabalho (Decreto nº 43.174) para planejar e executar a Campanha de Erradicação. O decreto autoriza que OPAS e ICA/Ponto IV participem das reuniões. Ou seja, os parceiros internacionais entram na mesa de decisão, não só como visitantes.

Em 4 de fevereiro, o Executivo edita o Decreto nº 43.174, que “instaura” dentro do DNERu um Grupo de Trabalho incumbido das atividades de planejamento e execução da erradicação, doravante chamadas de “Campanha de Erradicação da Malária”. Dois parágrafos são decisivos: autorizam a participação, nas reuniões do Grupo, do representante da International Cooperation Administration (ICA/Ponto IV) e da Repartição Sanitária Pan-Americana (OPAS) e de “outras organizações” com as quais o Ministério celebrar convênios. Em termos de governança, isso é mais do que protocolo: insere os organismos internacionais na rotina decisória do GT, ancorando a agenda brasileira no padrão OMS e condicionando-a a acordos de cooperação e fornecimento. O decreto também define presidência pelo Diretor-Geral do DNERu, sinal claro de que o GT nascia subordinado ao departamento recém-criado, e não como campanha autônoma. É aqui que o “global” entra oficialmente no cotidiano da política nacional de malária. 

2º semestre — cooperação, custos e as primeiras fricções de método

A cooperação começa; aparecem as primeiras fricções. A OPAS relata cooperação “harmônica” entre OMS–UNICEF–ICA. Só que trocar inseticida, treinar mais gente e ampliar logística custa caro. E para o Brasil isso significou:

  • dependência de dinheiro e materiais externos (carros, bombas, DDT),
  • desafio logístico em áreas remotas e casas abertas (Amazônia).

E daí nasce a tentação: onde borrifar em todas as casas é impossível, usar sal cloroquinado (o “método Pinotti”) parece atalho para reduzir casos.

Os relatórios da OPAS do período registram a operação “harmônica” PASB/WHO–UNICEF–ICA, mas também que decisões técnicas (como a substituição de inseticidas em alguns países) repercutiam fortemente nos custos, que passavam a ser cobertos em combinação por governos nacionais e agências. Para o Brasil, isso significava duas coisas: 

(i) dependência de insumos e de crédito externo para sustentar um ataque padronizado e intensivo de borrifação; 

(ii) tensão logística nas áreas de baixa densidade e moradias abertas, onde se tornaria tentador recorrer ao sal cloroquinado (método Pinotti) como atalho adaptativo. 

O segundo semestre termina com a porta multilateral aberta, mas com a campanha ainda “pendurada” no DNERu, e com a escolha tecnológica (borrifação universal vs. combinações adaptadas) por resolver no terreno. 

1959

1º semestre — a OMS “fecha o pacote”: fases, vigilância e critérios de passagem

Nesse período, sai o 7º Relatório do Comitê de Peritos (reunião de 1958, publicado em 1959). 

Ele diz, bem retinho:

  • fase preparatória ≈ 1 ano,
  • depois vem o ataque (borrifar em todo lugar certo, por ciclos),
  • depois a consolidação/manutenção (vigilância fortíssima),
  • só podemos dizer “acabou a transmissão” quando ficarmos vários anos sem casos locais (na prática, 3 anos).

Moral da história; o mundo queria padrão rígido e igual em todo lugar. Isso combina com bairros densos; não combina tanto com a Amazônia esparramada.

Publica-se o 7º Relatório do Comitê de Peritos (reunião em Lisboa, set./1958), documento-chave que consolida o modus operandi internacional da erradicação: define a fase preparatória (um ano como referência), ciclo de borrifação do ataque, métricas malariométricas, e uma vigilância pós-ataque intensa na consolidação, com critérios estritos para declarar a interrupção de transmissão. A partir daqui, a campanha passa a ser, por desenho, vertical, uniforme e escalável, com reduzida tolerância a soluções “heterodoxas”. O Brasil — com sua Amazônia rarefeita, migrante e de casas abertas — precisaria casar essa ortodoxia com realidades logísticas menos dóceis. 

2º semestre — o “híbrido” se instala: controle + preparativos de erradicação

No Brasil, o GT segue dentro do DNERu, tocando borrifação onde dá e mantendo rotinas de controle no resto.

Na prática, o semestre marca a consolidação de um hibridismo operacional: o GT segue dentro do DNERu, cumpre requisitos preparatórios em várias regiões, abre frentes de borrifação onde a cobertura é viável, mas preserva rotinas clássicas de controle no restante do território. A bibliografia técnico-histórica sobre o período (Fiocruz/Scielo) retrata esse arranjo como uma tradução “prudente”: convergência formal com a OMS, adoção seletiva de seus instrumentos, manutenção de expedientes nacionais em áreas de difícil execução da ortodoxia. É o preço de tentar sincronizar uma régua global com uma geografia social e física muito particular. 

1960

1º semestre — OPAS aponta gargalos: administração e financiamento

A OPAS aponta o “calcanhar de aquiles”

E o que aconteceu? A OPAS leva ao seu Conselho Diretor um relatório dizendo: vários países (inclusive Brasil) sofrem com problemas administrativos (gestão, organização) e financeiros (dinheiro curto).

Tradução: sem dinheiro constante e time estável, você não cumpre o “relógio” da OMS (preparatória em 1 ano, ataque depois, consolidação rígida).

Resultado prático: a nossa fase preparatória ficou mais longa do que a cartilha imaginava.

No 12º Conselho Diretor (ago./1960), a OPAS apresenta o Report on the status of malaria eradication in the Americas (CD12/6). O balanço é claro: programas nacionais sofrem com problemas administrativos e financeiros, que travam cadências de borrifação e a vigilância padronizada previstas, exigindo reforço institucional e recursos mais estáveis. É um diagnóstico “regional” que descreve, com precisão, a fase preparatória prolongada brasileira: GT sem autonomia plena, orçamento oscilante, cobertura irregular, portanto, dificuldade em cumprir, no tempo OMS, as passagens de fase. 

2º semestre — a solução “adaptativa” e os limites

E o que aconteceu?

Nas regiões com acesso fácil, segue a borrifação com DDT;

Agora, na Amazônia, usa-se sal cloroquinado para baixar a parasitemia onde borrifar em todas as casas é inviável.

E qual o problema? o sal não é a “solução/ortodoxia” da OMS (que aposta em borrifar + vigiar).

E o que veio depois: críticas técnicas (adesão, segurança, governança) e, com a saída de Pinotti da cena política, o abandono do sal em 1961.

Assim, a grande tensão do período JK é padrão global versus realidade local.

Por fim, nas áreas de fácil acesso e maior densidade, prossegue o ataque por borrifação residual (DDT). Na Amazônia, porém, o sal cloroquinado (o “método Pinotti”) é empregado como método de guerra de posição: reduz parasitemia e episódios clínicos onde a borrifação universal não é logisticamente exequível. A literatura especializada da própria comunidade sanitária brasileira registra que o método ganhou reconhecimento internacional, foi testado fora do país, mas acumulou críticas de segurança, adesão e governança, além de desalinhamento filosófico com a ortodoxia “borrifar + vigiar” da OMS, o que, combinado ao ocaso político de Pinotti, levou ao abandono do sal em 1961. Este semestre, portanto, sintetiza a fricção central do período JK: padronização global versus adaptação local. 

Em resumo;

Primeiro o Brasil criou capacidade (DNERu, 1956). Depois abriu a porta multilateral (GT com OPAS/ICA, 1958). Só então o “manual” global ficou fechado (peritos/OMS, 1959). Resultado: aderimos cedo no papel, mas não viramos a chave operacional de uma vez, porque o GT continuou subordinado ao DNERu e o dinheiro era curto e irregular. 

Assim, híbrido não é bagunça; é estratégia sob restrição. Entre 1958 e 1960 o país borrifou onde dava, usou sal onde não dava, e planejou vigilância enquanto fazia encomendas, treinava equipes e abria frentes. Isso salvou gente (menos casos e mortes), ainda que atrasasse o cronograma “perfeito” da OMS. 

Nesse horizonte, a tecnologia sem logística vira promessa. A OPAS mostrava: padrões subiram, custos também. Sem combustível, carros, bombas, DDT e pessoal todo mês, a engrenagem emperra. 

O Brasil aprendeu isso no duro em 1959/1960. Para erradicar malária não basta ter o melhor manual (OMS) nem a melhor boa vontade (JK). precisa de cozinha montada (DNERu), ingrediente chegando sempre (insumos e dinheiro), força-tarefa focada (um GT com autonomia), e receita que caiba na panela (adaptar ao território). 

Pra você entender bem, de 1956 a 1960, o brasil montou a cozinha, convidou os chefs internacionais, comprou parte dos ingredientes, mas cozinhou com duas panelas: a da ortodoxia (borrifar + vigiar) e a da adaptação (sal cloroquinado na Amazônia). Dessa forma deu para reduzir a doença em muitas áreas; não deu para zerar no ritmo que o mundo queria. A lição que fica é simples: padrão global + geografia local precisam conversar o tempo todo, do contrário, o plano fica bonito no papel e difícil no chão.


mini-glossário (para ninguém se perder)

  • Endemia: doença que “mora” numa região (ex.: malária na Amazônia).

  • Caso autóctone: infecção adquirida naquela área (não “importada”).

  • Fase preparatória: arrumar mapa, equipe e insumos antes do ataque.

  • Fase de ataque: borrifar DDT em massa, seguindo ciclos planejados.

  • Consolidação/manutenção: parar de borrifar e vigiar como um falcão; se surgirem focos, agir rápido.

  • Verticalização: campanha com comando próprio, orçamento próprio, regras próprias (não “diluída” num departamento).

  • Hibridismo: misturar ações de controle com passos de erradicação.

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