A construção da imagem de Juscelino Kubitschek e o projeto de Brasília.
Juscelino Kubitschek e o projeto de Brasília: modernidade, poder e imagem (1956–1960)
Este site acadêmico investiga como a construção de Brasília, realizada entre 1956 e 1960, articulou ciência, técnica, urbanismo e política para forjar uma imagem pública de Juscelino Kubitschek (JK) como líder modernizador. O estudo cruza discursos oficiais, peças publicitárias, fotografias e reportagens com a bibliografia histórica para compreender a dimensão simbólica e material do projeto: uma capital planejada que condensou promessas de progresso, integração territorial e aceleração do desenvolvimento. O desfecho simbólico da pesquisa é a inauguração da cidade em 21 de abril de 1960, quando o mito de JK se consolidou na narrativa nacional sob o lema “cinquenta anos em cinco”.
O Trabalho Discente Efetivo (TDE) Integrado 2025/2 da PUC-PR propõe como grande tema transversal a História da Ciência, incentivando recortes espaço-temporais que relacionem conhecimento científico, tecnologia e sociedade. O caso de Brasília é exemplar para compreender como a linguagem da ciência e da técnica foi utilizada para legitimar projetos políticos e moldar identidades coletivas, expressando no espaço urbano os ideais de modernidade e racionalidade do Brasil dos anos 1950, em plena Guerra Fria e no contexto do desenvolvimentismo.
A pergunta que orienta este estudo é: de que modo o projeto de Brasília foi concebido, divulgado e celebrado como prova de capacidade técnico-científica e como instrumento de legitimação política de Juscelino Kubitschek, contribuindo para a construção de sua imagem presidencial?
O objetivo geral é analisar a construção da imagem pública e política de JK por meio do projeto e da inauguração de Brasília, destacando o papel da ciência e da técnica na legitimação do poder. Os objetivos específicos são:
-
Mapear discursos, imagens e materiais oficiais que associam Brasília à ideia de progresso e modernidade.
-
Examinar as redes técnicas, arquitetos, engenheiros e planejadores, e sua atuação político-simbólica.
-
Confrontar a retórica governamental com as interpretações historiográficas sobre JK e o desenvolvimentismo.
-
Discutir os tensionamentos sociais e regionais invisibilizados pelo mito da “obra científica”.
A metodologia adotada combina pesquisa histórico-documental e análise do discurso. As fontes primárias incluem discursos presidenciais, mensagens ao Congresso, campanhas impressas, cinejornais, fotografias e plantas urbanísticas. As fontes secundárias abrangem obras de historiadores e teóricos da ciência e da modernidade. O estudo se apoia, entre outros, em Boris Fausto, Lilia Schwarcz, Heloisa Starling, Marcos Napolitano, Nicolau Sevcenko, Thomas Kuhn e Paolo Rossi, articulando história política, história da ciência e história cultural.
📂 Repositório Digital de Fontes
Todos os documentos, livros, artigos e fontes primárias utilizados neste projeto estão disponíveis para consulta pública em:
Acesso em: out. 2025.
Nenhum comentário:
Postar um comentário